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Franquias não são apostas: Roberson Alvarenga explica como investir com estratégia em 2026

Fundador da Help Multas compartilha os erros mais comuns e os fatores que sustentam o crescimento de uma rede.

O modelo de franquias segue em expansão no Brasil e continua atraindo empreendedores em busca de negócios estruturados e marcas consolidadas. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor faturou R$ 273,083 bilhões em 2024, com crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior, reforçando o potencial do franchising para os próximos anos.

Apesar do cenário positivo, investir em uma franquia em 2026 exige cautela. A análise detalhada da Circular de Oferta de Franquia (COF), o alinhamento entre o perfil do investidor e o modelo de negócio, além de um planejamento financeiro realista, são fatores determinantes para o sucesso. Franquia não é investimento passivo e requer envolvimento direto na gestão.

Outro ponto essencial é avaliar o suporte oferecido pela franqueadora, especialmente nas áreas de tecnologia, treinamento e inovação – aspectos cada vez mais relevantes em um mercado competitivo.

Caso de sucesso no franchising brasileiro

A trajetória do empresário Roberson Alvarenga ilustra como o modelo de franquias pode ser bem-sucedido quando estruturado com estratégia e propósito. Ex-policial militar, Roberson deixou a carreira pública para empreender e fundou, em União da Vitória (PR), a Help Multas, empresa especializada em recursos de multas de trânsito.

O negócio cresceu de forma consistente e hoje está presente em mais de 15 estados brasileiros, consolidando-se como uma das maiores franquias de direitos de trânsito do país. Com dezenas de colaboradores, a rede atua diretamente na recuperação do direito de motoristas voltarem a dirigir, unindo impacto social e crescimento empresarial.

“Não existe franquia de sucesso se o produto não for um sucesso”, avalia Roberson Alvarenga. “Desde o início, o principal cuidado foi criar um produto ou serviço que atendesse às necessidades das pessoas — no nosso caso, dos motoristas — e, depois disso, estruturar um modelo replicável, com suporte completo ao franqueado e lucratividade”, explica.

Segundo ele, para 2026, é indispensável que o investidor escolha uma franquia com a qual se identifique e esteja presente na operação. “Não é apenas investir o dinheiro e esperar retorno sem dedicação. Franquia é muito trabalho e só será bem-sucedida se o dono estiver nela”, destaca.

“O erro mais comum é achar que a franquia é um investimento passivo. O franqueado compra o modelo de negócio, participa da inauguração e depois se torna apenas um visitante da unidade, e não o empreendedor dela. Franquia exige gestão, disciplina e execução diária”, afirma. Outro erro recorrente, segundo ele, é não seguir o método da franqueadora. “Querer ‘inventar moda’ antes de dominar o básico pode comprometer os resultados. Além disso, muitos subestimam a importância do comercial e do marketing local, que são pilares fundamentais para o crescimento da unidade.”

Para avaliar se uma franquia realmente oferece suporte e estrutura adequados, Roberson orienta que o investidor vá além do discurso comercial. “É fundamental conversar com franqueados ativos, entender como funciona o suporte no dia a dia, quais canais existem, se há acompanhamento de resultados, treinamentos frequentes e atualização constante do modelo. Uma franquia séria mostra processos, números e presença real, não apenas apresentações bonitas”, ressalta.

Com vasta experiência no setor, o empresário alerta para promessas irreais. “Fuja de promessas milagrosas de retorno sem esforço. Estudar profundamente o modelo de negócio é um papel central do investidor. A análise jurídica protege o investimento, garante previsibilidade e evita riscos desnecessários. No caso da Help Multas, o jurídico não é apenas suporte, é o core do negócio. Para qualquer franquia, contratos bem estruturados, uma COF clara e um modelo juridicamente sustentável fazem toda a diferença entre crescer com segurança ou enfrentar problemas no futuro”, orienta.

Sobre as características comportamentais necessárias para o sucesso, Roberson é direto. “Se você não for uma boa pessoa, dificilmente será um bom empresário ou um bom franqueado. Além disso, ser franqueado exige mentalidade empreendedora, capacidade de execução, disciplina e abertura para aprender. Desafios fazem parte de qualquer negócio. Quem persiste e não desiste acaba colhendo os melhores resultados”, afirma.

Segundo ele, o franqueado de sucesso é aquele que segue o método, está sempre aprendendo e colocando em prática, além de ter autorresponsabilidade. “Postura comercial, liderança e comprometimento com o negócio são fundamentais. É preciso colocar 100% de energia”, completa.

Roberson Alvarenga também destaca a importância do crescimento sustentável. “A sustentabilidade vem de três fatores: modelo validado, suporte constante e franqueados bem selecionados. Redes que crescem rápido demais, sem estrutura, acabam prejudicando a própria franquia. Já aquelas que investem em melhoria contínua, tecnologia, capacitação e relacionamento constroem um crescimento sólido e duradouro.”

Referência no setor, a Help Multas se tornou inspiração para novos franqueados. “Nosso crescimento vem da combinação de uma dor real do mercado, modelo especializado, suporte estruturado, inovação constante e foco em resultados. Temos uma cultura forte, dados claros, treinamento contínuo e proximidade com o franqueado. Isso cria um ambiente em que o franqueado não está sozinho e consegue escalar com segurança. Se o franqueado cresce, nós também crescemos — essa é a nossa mentalidade”, finaliza.