Conversamos com uma jovem escritora, moradora de Porto União, Jennifer Maurer, criadora de histórias em quadrinhos, que transforma ideias, vivências e sonhos em páginas ilustradas cheias de significado. Jennifer criou a série de livros brasileiros Ryota.

Celebrado em 30 de janeiro, o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos homenageia a criatividade e a importância desse formato artístico que mistura texto e imagem para contar histórias marcantes. A data faz referência ao pioneirismo de Ângelo Agostini, um dos grandes nomes dos quadrinhos no Brasil, e reforça o papel cultural das HQs na formação de leitores e artistas ao longo das gerações.
Mais do que entretenimento, as histórias em quadrinhos são uma poderosa ferramenta de expressão social, cultural e pessoal. Elas dão voz a diferentes realidades, aproximam públicos diversos e abrem espaço para novas narrativas, especialmente aquelas criadas por jovens artistas que produzem fora dos grandes centros.
Na nossa região, uma nova geração de quadrinistas vem se destacando com talento, sensibilidade e identidade própria. Para celebrar a data, conversamos com uma jovem moradora de Porto União, Jennifer Maurer, criadora de histórias em quadrinhos, que transforma ideias, vivências e sonhos em páginas ilustradas cheias de significado.

Jennifer conta que seu interesse surgiu a partir do apoio em casa. “Eu criei gosto pela leitura desde que era bastante nova. Minha mãe sempre lia contos para mim e comprava gibis, então foi muito graças a esse incentivo dela”, destaca.
Escritora da série de livros brasileiros Ryota, publicada pela Editora MPEG – especializada em mangás, novels e derivados no Brasil – Jennifer fala sobre suas inspirações. “No momento, há um autor japonês que me inspira bastante, chamado Tappei Nagatsuki. Gosto muito de como ele desenvolve personagens, constrói mundos e consegue tornar tudo muito redondinho e natural”, comenta.

Sobre suas histórias, ela explica: “Minha narrativa não se passa no mundo real, mas ocasionalmente gosto de adicionar gírias e até referências, me inspirando em culturas e festas típicas para determinados eventos, ou fazendo os personagens comerem pratos que costumo consumir aqui”.
Ela avalia que o maior desafio está em alcançar o público. “Com certeza, atingir leitores é o mais difícil. O nicho de criação de histórias no Brasil ainda é, infelizmente, muito pequeno e preso em uma bolha. É sempre complicado divulgar o próprio trabalho e chamar a atenção de novos leitores”, ressalta.
Jennifer também explica como funciona seu processo criativo. “Eu escrevo completamente sozinha. No meu caso, desenvolvo toda a história, e existe uma artista que ocasionalmente cria ilustrações para o meu livro. Mas, em relação ao enredo, tudo vem de mim”.
Sobre a obra, ela detalha: “Escrevo uma série de livros de fantasia com drama chamada Ryota. É a história de uma garota do interior que acaba perdendo tudo e parte em uma jornada para descobrir o motivo disso, passando também por uma experiência de autoconhecimento. A protagonista, Ryota, reflete muito bem minhas dúvidas, medos e conclusões que tiro da minha própria vida”, avalia.

Ao falar sobre o futuro das histórias em quadrinhos, especialmente para novos criadores, Jennifer demonstra otimismo. “Sinto que há muito potencial para crescimento e que esse cenário tende a se expandir cada vez mais. Desde que tenhamos a chance de apresentar nosso trabalho ao mundo, várias pérolas perdidas nesse nicho poderão ser encontradas”.
Por fim, ela deixa um conselho para jovens que sonham em criar suas próprias HQs. “Eu sempre recomendo começar. Se você quer desenhar, desenhe. Se quer escrever, escreva. Estude, treine, dedique-se e não desista. Faça o que você quer fazer e não se preocupe com renda ou público por enquanto, ou todo o prazer de trabalhar com arte vai se perder. Antes de tudo, criamos para nós mesmos. Se não gostarmos do que fazemos, ninguém vai gostar”, finaliza.
Neste Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, celebrar artistas locais é reconhecer que grandes histórias também nascem perto de nós – nas escolas, nos bairros, nas vivências cotidianas. Incentivar esses talentos é garantir que novas vozes continuem desenhando o futuro dos quadrinhos brasileiros.













