O Fevereiro Laranja é uma campanha nacional dedicada à conscientização sobre a leucemia e outras doenças do sangue. A mobilização reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico adequado. A iniciativa chama a atenção para sintomas que muitas vezes são confundidos com situações comuns do dia a dia, mas que podem indicar alterações hematológicas que exigem investigação.

Entre os sinais que merecem atenção estão cansaço persistente, palidez, fraqueza, tonturas frequentes e falta de ar. Embora possam estar associados a rotina intensa ou alimentação inadequada, esses sintomas também podem indicar desde anemias simples até doenças mais complexas, como a leucemia. Por isso, a avaliação profissional é essencial para identificar a causa e iniciar o tratamento correto, quando necessário.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que a deficiência de ferro é a principal causa de anemia no mundo, afetando cerca de 33% das mulheres não grávidas, 40% das gestantes e 42% das crianças. No Brasil, números do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 20,9% das crianças menores de cinco anos e 29,4% das mulheres em idade fértil apresentam algum grau de anemia. Os índices reforçam a necessidade de acompanhamento nutricional e médico, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Alimentação e saúde do sangue
A nutricionista Charly Doliszny explica que a formação das células sanguíneas ocorre na medula óssea e depende diretamente da oferta adequada de nutrientes. Uma alimentação insuficiente pode provocar diminuição da produção de hemácias, alterações no tamanho e no formato das células, redução da hemoglobina, queda da imunidade e alterações na coagulação. Dietas muito restritivas, baixa ingestão calórica e problemas de absorção intestinal também aumentam o risco de alterações hematológicas.

Nutrientes indispensáveis para a saúde hematológica
Conforme a nutricionista, alguns nutrientes são fundamentais para a produção adequada das células do sangue:
Ferro: essencial para a formação da hemoglobina.
Fontes: carnes vermelhas, fígado, frango, peixes, feijão, lentilha, grão-de-bico e vegetais verde-escuros. O ferro de origem animal apresenta melhor absorção.
Vitamina B12: atua na formação das hemácias e na saúde do sistema nervoso.
Fontes: carnes, ovos, leite e derivados. Vegetarianos têm maior risco de deficiência.
Ácido fólico (B9): responsável pela síntese do DNA celular.
Fontes: folhas verde-escuras, feijão, abacate e brócolis.
Proteínas: fundamentais para a estrutura celular.
Fontes: carnes, ovos, laticínios e leguminosas.
Vitamina C: aumenta a absorção do ferro de origem vegetal.
Fontes: laranja, limão, acerola, kiwi e abacaxi.

Nem toda anemia é igual
A profissional destaca que existem diferentes tipos de anemia, e cada uma exige conduta específica. Na anemia ferropriva, a orientação é aumentar o consumo de ferro na alimentação, associar vitamina C e evitar café, chá preto, chimarrão e cálcio junto às principais refeições.
Na deficiência de vitamina B12, é necessário avaliar o consumo de alimentos de origem animal e investigar possíveis alterações na absorção, podendo haver indicação de suplementação intramuscular.
Já na anemia por deficiência de ácido fólico, recomenda-se aumentar o consumo de folato e avaliar o consumo de álcool. Segundo a nutricionista, tratar anemia apenas com ferro, sem diagnóstico adequado, pode mascarar problemas mais graves.
Sinais de que a alimentação pode estar insuficiente
Alguns sintomas indicam a necessidade de investigação médica e laboratorial, como fadiga constante, queda de cabelo, unhas fracas, palidez, tontura, falta de ar aos esforços, taquicardia, irritabilidade e infecções frequentes.
Nutrição também é aliada no tratamento da leucemia
Nos casos de leucemia, o suporte nutricional é parte importante do cuidado. Ele contribui para a manutenção da massa muscular, redução do risco de infecção, melhor tolerância à quimioterapia e prevenção da desnutrição.
As estratégias incluem dieta hiperproteica, fracionamento alimentar, controle de náuseas, atenção à segurança alimentar e monitoramento dos níveis de ferro. A especialista ressalta que a nutrição não substitui o tratamento oncológico, mas pode influenciar positivamente no prognóstico e na qualidade de vida.
Orientações práticas para prevenir anemia
Entre as recomendações estão consumir carne vermelha de duas a três vezes por semana, associar vitamina C às refeições com leguminosas, evitar café, chá ou chimarrão logo após o almoço, manter boa ingestão de proteínas, realizar exames periódicos como hemograma, ferritina e dosagem de B12, além de atenção especial a gestantes, idosos e pacientes pós-bariátricos. A suplementação deve ser feita apenas com orientação médica.
Sobre a profissional
A Dra. Charly Doliszny atua como nutricionista clínica há 17 anos, com foco em emagrecimento e qualidade de vida. Atende em União da Vitória, Curitiba, General Carneiro e Bituruna, além de realizar consultas online.
WhatsApp: (42) 98819-4243
Instagram: @nutricionistacharly














