A costura é uma arte milenar que atravessa gerações, unindo tecidos com agulha e linha para criar peças que vestem, expressam identidade e contam histórias. Muito além da confecção de roupas, a costura também representa criatividade, sustentabilidade e a possibilidade de transformar materiais simples em peças únicas.

No Vale do Iguaçu, um dos nomes que se destacam nessa arte é o da costureira e designer de moda Mônica Koczyla, profissional que construiu sua trajetória com dedicação, talento e muita superação. Hoje, seu trabalho inspira clientes e também outras pessoas que sonham em atuar no universo da moda.

Paixão que começou na infância
Mônica conta que o interesse pela costura surgiu ainda na infância, em uma época em que era comum as mães confeccionarem roupas para os filhos, além de praticarem crochê, tricô e bordado. Mesmo com poucas condições e acesso limitado a materiais, a curiosidade e a vontade de aprender sempre estiveram presentes. Ainda criança, ela gostava de transformar roupas doadas que chegavam à família.

Aos 15 anos, participou de um concurso escolar e decidiu criar sua própria peça: uma minissaia feita com retalhos de jeans e acabamento em crochê. Sem perceber, ali nascia um talento que futuramente se transformaria em profissão.

A descoberta da profissão
Após terminar o ensino médio, Mônica saiu do interior e foi trabalhar em São Paulo como empregada doméstica. Foi lá que a costura voltou a fazer parte de sua rotina. Na casa onde trabalhava havia uma máquina de costura e, aos poucos, ela começou a fazer pequenos reparos em roupas, lençóis e toalhas. Esse contato reacendeu o interesse pela área.
Alguns anos depois, decidiu investir no sonho. Juntou dinheiro, comprou sua primeira máquina e iniciou um curso de corte e costura. Nas horas vagas, passou a fazer ajustes em roupas de amigos e conhecidos.

Retorno à região e início do ateliê
Com o desejo de voltar para a terra natal, Mônica retornou à região com a família. Inicialmente morou em Cruz Machado e, posteriormente, se estabeleceu no Vale do Iguaçu, onde vive há cerca de 13 anos.

Dedicando-se à família e aos filhos, começou a costurar em casa. No início, o quarto também era o espaço de trabalho, a própria cama servia como mesa de corte. Com o aumento da demanda, a família construiu um pequeno espaço na frente da casa para funcionar como ateliê. O sonho de ter seu próprio local de trabalho estava quase completo quando um grande desafio surgiu.

A luta contra a leucemia
Durante esse período, Mônica recebeu o diagnóstico de leucemia. O início do tratamento foi delicado e exigiu muita força e coragem. Mesmo enfrentando internações e momentos difíceis, ela encontrou na arte manual uma forma de manter a esperança.
Durante o período no hospital, voltou a praticar crochê e passou a produzir toucas. Algumas eram doadas, outras vendidas. A atividade ajudou a ocupar o tempo e fortalecer o espírito durante o tratamento.

Formação e evolução na moda
Após superar essa fase, Mônica voltou com ainda mais vontade de crescer profissionalmente. Buscou cursos de modelagem e costura pela internet, aprimorando suas técnicas. Em 2021, participou de um reality voltado à costura, experiência que ajudou a testar suas habilidades e ampliar seu conhecimento na área.
Em 2022, iniciou outro grande sonho: cursar Design de Moda na modalidade EAD pela Unicesumar. Já em 2024, foi escolhida para apresentar seu trabalho no evento IDD Fashion Day, voltado ao universo da costura e da moda.

Contra a “moda de trapos”
Para Mônica, um dos maiores desafios da moda atual é o crescimento do fast fashion, modelo baseado na produção rápida e no consumo excessivo. Segundo ela, esse cenário tem reduzido a qualidade das peças e incentivado o descarte rápido das roupas.
Por isso, seu trabalho segue na direção oposta: o slow fashion, movimento que valoriza a produção local, o uso de tecidos de melhor qualidade, peças duráveis e um guarda-roupa mais consciente.
Moda como identidade
Apesar de muitos clientes procurarem o ateliê para roupas de eventos especiais, cada vez mais pessoas têm buscado peças exclusivas também para o dia a dia. Para Mônica, a roupa vai muito além de vestir o corpo.
“Um look não é apenas uma roupa. Ele é uma narrativa visual da trajetória da pessoa, da sua personalidade e daquilo que deseja comunicar antes mesmo de falar”, destaca.
Influência cultural da região
A estilista também ressalta que o Vale do Iguaçu possui uma forte herança cultural, marcada pela imigração europeia, que influencia diretamente a moda local. Elementos artesanais, resistência das peças ao clima e padrões estéticos regionais fazem parte dessa identidade. Para ela, essa cultura oferece uma grande fonte de inspiração para novas criações.

Inspirando novas gerações
Com uma trajetória marcada por desafios, superação e paixão pela moda, Mônica Koczyla segue transformando tecidos em histórias e ajudando pessoas a encontrarem sua própria identidade por meio da roupa. Seu ateliê representa não apenas um espaço de criação, mas também um exemplo de que talento, dedicação e perseverança podem transformar sonhos em realidade.















