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Analfabetismo funcional ainda é desafio no Brasil e reforça a importância da leitura com compreensão

Interpretar corretamente um texto, compreender uma informação e diferenciar fatos de opiniões são habilidades fundamentais para a vida em sociedade. No entanto, dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), pesquisa conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a Ação Educativa, revelam um cenário preocupante no Brasil. Segundo o levantamento, apenas 8% dos brasileiros conseguem interpretar adequadamente um conteúdo publicado e somente 6% conseguem diferenciar fato de opinião. Além disso, cerca de 29% dos adultos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, sabem ler e escrever, mas não conseguem compreender plenamente o que leem.

Diante desse cenário, a capacidade de interpretação e pensamento crítico se torna cada vez mais necessária, especialmente em um mundo marcado pelo grande volume de informações e pela circulação constante de conteúdos nas redes sociais. Para entender melhor os impactos dessa realidade e como é possível enfrentá-la, conversamos com a psicopedagoga Daniele Zahn, que atua no espaço clínico TEAuxiliando, em General Carneiro, e explicou os desafios do analfabetismo funcional e a importância de desenvolver habilidades de leitura e compreensão desde a infância.

Segundo Daniele, os dados do INAF mostram que muitas pessoas passaram pela escola e aprenderam a ler, mas não necessariamente desenvolveram a capacidade de compreender o que está sendo lido. “Esses dados mostram que muitas pessoas passaram pela escola e aprenderam a decodificar as palavras, ou seja, conseguem ler, mas têm dificuldade de compreender o que está sendo lido. Isso indica que o processo de aprendizagem muitas vezes ficou focado apenas na leitura mecânica e não no desenvolvimento da compreensão”, explicou.

Para ela, esse cenário revela um desafio importante na educação brasileira, que precisa avançar na qualidade da aprendizagem.

“Precisamos estimular não apenas a leitura das palavras, mas também a interpretação, a reflexão e a construção de sentido a partir dos textos”, destacou.

A psicopedagoga também aponta que interpretar textos exige diversas habilidades cognitivas, como atenção, memória, repertório de conhecimento e pensamento crítico. Quando essas competências não são estimuladas ao longo da formação escolar, a pessoa pode encontrar dificuldades para analisar informações de forma mais profunda.

“Não basta apenas saber ler as palavras. A leitura precisa vir acompanhada de compreensão, reflexão e capacidade de interpretar o que está sendo dito”, afirmou.

Ela explica que o ambiente digital torna esse desafio ainda maior. Com o grande volume de conteúdos disponíveis nas redes sociais e na internet, torna-se cada vez mais importante desenvolver leitores críticos. “No ambiente digital somos expostos a uma grande quantidade de informações o tempo todo. Sem uma leitura crítica bem desenvolvida, fica mais difícil diferenciar fatos de opiniões ou até mesmo identificar informações falsas. Hoje mais do que nunca precisamos desenvolver leitores críticos, capazes de analisar informações, questionar conteúdos e diferenciar fatos de opiniões”, ressaltou.

O analfabetismo funcional também pode impactar diretamente a vida das pessoas em diferentes áreas. No ambiente de trabalho, por exemplo, a dificuldade de compreensão pode interferir na interpretação de instruções, relatórios ou normas. Já na convivência social, pode gerar insegurança na participação de debates ou na tomada de decisões. “No dia a dia, atividades simples como interpretar um contrato, entender uma notícia, um anúncio ou até seguir orientações de saúde podem se tornar mais difíceis. Por isso, a leitura com compreensão é uma habilidade essencial para a autonomia e participação ativa na sociedade”, explicou.

Para enfrentar esse problema, Daniele destaca que é fundamental fortalecer a alfabetização desde os primeiros anos escolares e incentivar o desenvolvimento do pensamento crítico nas salas de aula.

Entre os desafios enfrentados pelas escolas está justamente garantir que os alunos desenvolvam habilidades de leitura que vão além da decodificação das palavras. Além disso, é necessário lidar com um contexto em que crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a informações rápidas e fragmentadas, principalmente por meio das redes sociais.

Por isso, a psicopedagoga reforça que é essencial incentivar atividades que promovam reflexão, discussão de ideias e contato frequente com diferentes tipos de leitura.

Entre as estratégias que podem ajudar a reduzir o analfabetismo funcional, ela destaca o fortalecimento da alfabetização na base da educação, o investimento na formação continuada de professores e o estímulo ao hábito da leitura desde a infância. “Também é essencial que a leitura esteja presente no cotidiano das crianças, tanto na escola quanto em casa, de forma prazerosa e significativa. Quando uma criança lê uma história e consegue explicar com suas próprias palavras o que aconteceu, ela já está exercitando a compreensão e o pensamento crítico”, concluiu.

Daniele Zahn é psicopedagoga e atua no espaço clínico “TEAuxiliando”, na rua Santos Anjos, nº 181, em General Carneiro. O ambiente acolhedor oferece atendimento especializado e conta com uma equipe multidisciplinar qualificada.

Avenida Santos Anjos, 181 – em General Carneiro – PR
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