Com a chegada das temperaturas mais baixas, é comum que o comportamento alimentar mude. A vontade por alimentos mais calóricos aumenta, o consumo de pratos quentes se torna mais frequente e até a ingestão de água tende a diminuir. No entanto, segundo a nutricionista clínica funcional e oncológica, Dra. Marcia Noernberg, da Clínica Onconutri, em União da Vitória, compreender essas mudanças é essencial para manter o equilíbrio e a saúde durante o inverno.

De acordo com a especialista, o aumento do apetite no frio tem explicações fisiológicas e emocionais. “Durante o inverno, o corpo tende a elevar levemente o gasto energético para manter a temperatura corporal. Além disso, a menor exposição ao sol pode impactar neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a serotonina”, explica. Esse cenário favorece a busca por alimentos mais calóricos, ricos em carboidratos simples e gorduras. “O problema não está nesse comportamento em si, mas na frequência e na qualidade das escolhas”, destaca. O consumo excessivo de ultraprocessados pode trazer consequências como ganho de peso, aumento da inflamação, queda da imunidade e maior risco cardiovascular.

Ainda conforme a nutricionista, alguns erros são comuns nessa época do ano e exigem atenção. “Observamos com frequência a redução do consumo de saladas e vegetais, o aumento de alimentos industrializados, a baixa ingestão de água e a substituição de refeições por lanches calóricos e pobres em nutrientes”, afirma. Ela também alerta para impactos digestivos. “Na prática clínica, é comum observar piora de sintomas como refluxo, distensão abdominal e constipação, principalmente quando há excesso de alimentos inflamatórios”, pontua.

Apesar disso, Dra. Marcia reforça que é possível manter uma alimentação equilibrada sem abrir mão do conforto típico da estação. “O inverno é a época ideal para preparar caldos e sopas, que funcionam como um verdadeiro abraço reconfortante. Além de aquecer o corpo, são opções versáteis e nutritivas”, destaca. Entre as sugestões estão caldo verde, caldo de mandioca, caldinho de feijão e sopas de legumes com proteína. “O segredo está em manter a estrutura nutricional do prato, com fontes de proteína, fibras e gorduras boas”, orienta. Ela ainda compartilha dicas práticas: “Para uma base cremosa, utilize raízes como batata, mandioca ou mandioquinha batidas com a água do cozimento. Invista em um bom refogado com alho e cebola e finalize com cheiro-verde fresco.”

Outro ponto importante são os alimentos típicos do inverno que podem atuar como aliados da saúde. “Vegetais como abóbora, cenoura, brócolis e couve são ricos em antioxidantes e ajudam a fortalecer a imunidade. Já leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico fornecem proteínas e fibras importantes para o organismo”, explica. Ela também destaca o papel dos temperos funcionais. “Cúrcuma, gengibre e alho possuem ação anti-inflamatória e contribuem para reduzir o uso de sal.” Na região Sul, alimentos tradicionais como pinhão, polenta, carnes cozidas e sopas podem integrar uma alimentação equilibrada quando preparados de forma adequada.
Para quem deseja melhorar a rotina alimentar, pequenas mudanças fazem diferença. “Trocar macarrão instantâneo por sopa caseira, substituir achocolatado por chocolate em pó com maior teor de cacau, optar por pães integrais e evitar embutidos são atitudes simples que impactam diretamente na saúde”, orienta. Ela também sugere alternativas mais naturais para sobremesas, como frutas assadas com canela, além do uso moderado de mel como adoçante.

Além da alimentação, outros cuidados são fundamentais durante o inverno. “Mesmo sem sede, é essencial manter a hidratação. A exposição solar continua sendo importante para a vitamina D, assim como o sono de qualidade e a prática regular de atividade física”, afirma. Segundo a especialista, o cuidado com o intestino também deve ser prioridade, com consumo adequado de fibras e probióticos naturais.

Por fim, Dra. Marcia deixa uma reflexão sobre o período mais frio do ano. “O inverno não é um vilão da saúde, é uma oportunidade de transformação. É a estação ideal para fortalecer o organismo com preparações quentes, nutritivas e cheias de sabor”, conclui. A orientação é clara: mais do que comer, o essencial é nutrir o corpo de forma consciente, respeitando suas necessidades e aproveitando o melhor que a estação oferece.
Dra. Marcia Noernberg
Nutricionista Clínica Funcional e Oncológica
CRN 18968/PR | CREF 047436/PR
Clínica Onconutri – Rua Prudente de Morais, 690 – União da Vitória/PR
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