O advogado criminalista Allan Scheibe, que atua no Vale do Iguaçu, comentou sobre um tema que voltou ao centro do debate nacional: a condenação dos mandantes do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.

O caso, que chocou o Brasil e teve grande repercussão internacional, ganhou um novo capítulo com a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que responsabilizou os mandantes do crime ocorrido em 2018.
Segundo o advogado, a decisão reforça um princípio fundamental do Estado Democrático de Direito: a justiça pode tardar, mas não pode falhar. Allan Scheibe destacou que, mesmo após quase seis anos do crime, a resposta das instituições demonstra que o Estado brasileiro tem o dever de investigar, identificar e responsabilizar os envolvidos, independentemente do tempo necessário para a apuração completa dos fatos.
O criminalista também ressaltou que casos complexos, especialmente aqueles que envolvem organizações criminosas e possíveis influências políticas, exigem investigações profundas e produção consistente de provas. Para ele, a Constituição garante a todos o direito à duração razoável do processo, o que significa que a Justiça não deve ser lenta a ponto de se tornar ineficaz, mas também não pode agir com pressa e comprometer a qualidade das decisões.

Allan Scheibe explicou ainda que o verdadeiro papel da Justiça está no equilíbrio entre celeridade e responsabilidade. “Julgar rápido demais pode gerar decisões frágeis, enquanto julgar tarde demais pode abalar a confiança da sociedade”, pontuou. Nesse sentido, ele destaca que a construção da verdade jurídica precisa respeitar o contraditório, a ampla defesa e a análise cuidadosa das provas.
Para o advogado, a condenação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes deixa uma mensagem importante para o país: crimes graves não podem ser normalizados e nenhum responsável pode se esconder atrás do poder ou da influência. “Quando a justiça falha, a democracia adoece. Por isso, mesmo que leve tempo, é fundamental que ela seja feita”, concluiu.













