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Dormir muito não é dormir bem: apneia do sono pode afetar saúde e produção hormonal dos homens

Especialista do Sabin Diagnóstico e Saúde alerta que a qualidade do sono é tão importante quanto a quantidade de horas dormidas e orienta sobre sinais que merecem investigação.

Dormir por várias horas nem sempre significa acordar descansado. Para homens que levantam pela manhã já cansados, enfrentam sonolência ao longo do dia ou percebem queda na disposição, a qualidade do sono pode estar por trás desses sintomas.

Um dos problemas que merece atenção é a apneia do sono, condição caracterizada por interrupções da respiração durante a noite. Esses episódios podem provocar microdespertares e comprometer a recuperação física e mental do organismo, mesmo quando a pessoa permanece na cama por muitas horas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos durmam pelo menos sete horas por noite regularmente. No entanto, segundo Ana Clara D’Campora, médica endocrinologista e especialista consultora do Sabin Diagnóstico e Saúde, não basta apenas atingir essa quantidade.

“Mais do que cumprir a quantidade recomendada de horas de sono, estar atento à qualidade do descanso também é fundamental. Condições como a ansiedade e a apneia podem impedir que a pessoa relaxe o suficiente e alcance os níveis mais profundos do sono, levando àquela sensação de que dormiu, mas não descansou”, explica a especialista.

Ronco e cansaço podem ser sinais de alerta

A má qualidade do sono pode aparecer de diferentes formas durante o dia. Sonolência excessiva, irritabilidade, dificuldade de memória, dores de cabeça pela manhã e falta de concentração estão entre os sinais que podem indicar que o descanso não está sendo adequado.

O ronco alto e persistente e as pausas na respiração durante o sono também merecem atenção. Na apneia, os microdespertares provocados pelas interrupções respiratórias prejudicam a recuperação do organismo e podem afetar concentração, atenção e memória.

A ansiedade também pode interferir na qualidade do descanso, dificultando o relaxamento e o adormecimento e favorecendo despertares ao longo da noite.

Sono também está relacionado à produção de testosterona

Outro ponto que merece atenção na saúde masculina é a relação entre sono, hormônios e metabolismo.

A fragmentação do sono pode interferir na produção hormonal, incluindo os hormônios sexuais. Existe uma associação clínica entre a apneia do sono e níveis mais baixos de testosterona. No entanto, essa relação não deve ser interpretada como uma causa direta em todos os casos.

Isso porque outros fatores também podem contribuir para alterações hormonais. Obesidade, idade, síndrome metabólica, alterações no colesterol e pressão arterial estão entre as condições que podem influenciar a produção de testosterona.

“A pessoa não descansa e isso afeta a produção hormonal, pois é como se o corpo estivesse sempre em estado de alerta. A falta de um repouso adequado prejudica a disposição e até a capacidade de reter informações”, afirma Ana Clara.

Além disso, estresse crônico, diabetes e o uso de determinados medicamentos, como opioides e corticoides, assim como esteroides anabolizantes, também podem interferir negativamente nos níveis de testosterona.

Quando é hora de procurar ajuda?

Ronco persistente, sonolência excessiva durante o dia, hipertensão e ganho de peso são alguns dos sinais que podem justificar uma investigação médica.

A apneia do sono não tratada pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares e de resistência à insulina, além de comprometer memória e concentração. A sonolência também pode elevar o risco de acidentes, especialmente durante atividades que exigem atenção, como dirigir.

Por isso, perceber que dormir muitas horas não está sendo suficiente para recuperar as energias é um sinal que não deve ser ignorado.

A avaliação deve ser realizada por um profissional de saúde, que poderá analisar os sintomas e indicar, quando necessário, o exame mais adequado para investigar a qualidade do sono e possíveis distúrbios.

Cuidar do sono, portanto, vai muito além de olhar para o relógio. Dormir a quantidade necessária é importante, mas garantir um descanso de qualidade também faz parte dos cuidados com a saúde masculina.