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Polícia Civil indicia dois homens após investigação sobre R$ 83 mil gastos em supostos trabalhos espirituais em Paulo Frontin

Investigação aponta que agricultor realizou 21 transferências bancárias e que um dos trabalhos teria como objetivo provocar a morte da própria esposa.

A Polícia Civil do Paraná concluiu uma investigação sobre um esquema de estelionato envolvendo supostos trabalhos espirituais que causaram um prejuízo de aproximadamente R$ 83 mil a uma família de Paulo Frontin. O caso foi investigado pela 10ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) de Mallet, que indiciou dois homens por crimes distintos.

Segundo a investigação, um agricultor teria sido convencido a realizar pagamentos sucessivos a um homem residente em União da Vitória, sob a promessa de que os trabalhos espirituais poderiam resolver problemas financeiros, proporcionar benefícios pessoais e interferir em situações envolvendo familiares e outras pessoas.

Ao todo, foram identificadas 21 transferências bancárias, que ultrapassaram R$ 83 mil. Para custear os pagamentos, o agricultor teria contraído dívidas bancárias, comprometendo a situação financeira da família.

Trabalho teria como objetivo provocar a morte da esposa

Um dos pontos mais graves identificados durante a investigação foi a contratação de um suposto trabalho espiritual que teria como objetivo provocar a morte da esposa do agricultor, que havia enfrentado problemas de saúde.

Os investigadores também identificaram conversas sobre supostos trabalhos destinados a prejudicar outras pessoas e até mesmo a interferir na investigação policial, com a intenção de evitar que os fatos fossem descobertos.

Investigados negaram as acusações

Durante os interrogatórios, os dois homens negaram que os valores recebidos estivessem relacionados a trabalhos espirituais. Eles alegaram que o dinheiro correspondia à comercialização de adubos e outros insumos agrícolas.

De acordo com a Polícia Civil, porém, nenhum dos envolvidos conseguiu esclarecer informações básicas sobre as supostas negociações, como o preço dos produtos, a identificação dos fornecedores e a origem dos insumos. Também não foram apresentados documentos que comprovassem as operações comerciais alegadas.

Para os investigadores, os elementos reunidos apontam que o homem que recebeu os valores teria explorado a confiança do agricultor por meio de promessas enganosas e cobranças sucessivas, obtendo vantagens financeiras indevidas.

Agricultor também foi indiciado por ameaças

A investigação apurou ainda ameaças de morte que teriam sido feitas pelo agricultor contra a própria esposa e a sogra, após conflitos familiares relacionados às dívidas e à descoberta dos pagamentos.

Conforme a Polícia Civil, em uma das mensagens analisadas, ele teria advertido que familiares poderiam “acabar num caixão”.

Quais crimes foram atribuídos aos envolvidos?

Ao término do inquérito, o homem apontado como responsável pelos supostos trabalhos foi indiciado por estelionato, na forma de continuidade delitiva, conforme os artigos 171 e 71 do Código Penal.

Já o agricultor foi indiciado por dois crimes de ameaça contra a mulher, em contexto de violência doméstica e familiar, com base no artigo 147, § 1º, do Código Penal.

O indiciamento representa a conclusão da investigação policial quanto aos indícios de autoria e materialidade dos crimes. A responsabilização criminal depende da análise das autoridades competentes e do devido processo legal.