Uma mulher de 55 anos, moradora de Mallet e que trabalha em Paulo Frontin, é alvo de uma investigação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) após a circulação de áudios com declarações de hostilidade política e referências à prática de crimes. As mensagens foram encaminhadas após o resultado das eleições presidenciais de domingo, dia 25 de outubro, e ganharam ampla repercussão em aplicativos de mensagens e redes sociais.

A investigação é conduzida pela 10ª Delegacia Regional de Polícia de Mallet, que instaurou procedimento para apurar possíveis crimes de incitação ao crime e ameaça. Segundo a Polícia Civil, as gravações foram inicialmente encaminhadas a duas pessoas do círculo de amizades da mulher e, posteriormente, divulgadas a terceiros.
Áudios mencionam intenção de praticar crimes
Nas gravações, conforme o conteúdo divulgado, a mulher faz críticas ao PT e à escolha do presidente Lula, afirma torcer para que o Brasil “afunde” e menciona a intenção de agir como criminosa.
De acordo com a nota da Polícia Civil, nos áudios a mulher fala expressamente sobre a intenção de praticar furtos ou roubos e danificar veículos pertencentes a adversários políticos, quebrando retrovisores e lanternas. Ela também teria declarado que passaria a agir deliberadamente para prejudicar outras pessoas.
Segundo as informações encaminhadas à polícia, outras mensagens atribuídas à investigada contêm manifestações relacionadas a crimes graves, inclusive violência sexual. O conteúdo será examinado durante a investigação. Entre as declarações divulgadas, a mulher teria afirmado que comemoraria caso filhas de conhecidos fossem vítimas de estupro. A Polícia Civil confirmou que mensagens atribuídas à investigada apresentam referências à violência sexual, mas ressaltou que as circunstâncias e o conteúdo das gravações ainda serão apurados.
A repercussão das mensagens também motivou manifestações nas redes sociais. Em um vídeo enviado à reportagem do Canal 4, Amanda Gabriela comenta o conteúdo dos áudios e demonstra indignação com as declarações atribuídas à mulher investigada.
Por meio de suas redes sociais, Amanda rebate as mensagens e se posiciona diante das manifestações de hostilidade e violência que ganharam repercussão na região.
Duas mulheres também serão investigadas
Além da mulher de 55 anos, a Polícia Civil informou que as duas pessoas que receberam originalmente os áudios também serão investigadas quanto à possível participação na divulgação pública do conteúdo.
Conforme a nota, a apuração deverá verificar se houve participação deliberada na propagação das mensagens, inclusive sob a perspectiva de eventual coautoria no crime de incitação ao crime, caso sejam demonstrados os requisitos legais, especialmente a consciência e a intenção de contribuir para a prática delitiva.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias das declarações, seus destinatários, a intenção da autora e a possível configuração das infrações penais.
A Polícia Civil também informou que o assunto foi abordado durante a assembleia do Conselho de Segurança do Município, realizada nesta quinta-feira, dia 29 de outubro, na Câmara de Vereadores de Mallet, diante da gravidade e da repercussão do conteúdo divulgado.
A 10ª Delegacia Regional de Polícia de Mallet informou que os fatos já foram levados ao conhecimento da autoridade policial e estão sendo objeto de apuração formal.
A mulher será investigada, em tese, pelos crimes de incitação ao crime, previsto no artigo 286 do Código Penal, e ameaça, previsto no artigo 147 do mesmo diploma legal.
Após a realização das diligências cabíveis, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público para análise das providências legais.
A Polícia Civil ressalta que divergências políticas, inconformismo com resultados eleitorais ou manifestações de indignação não autorizam ameaças, estímulo à violência, depredação de patrimônio ou qualquer outra conduta criminosa.
A instituição também destaca que a liberdade de expressão é constitucionalmente assegurada, mas não representa autorização irrestrita para a prática de ilícitos.
Polícia Civil alerta para compartilhamentos e represálias
Diante da ampla repercussão das gravações, a Polícia Civil orienta a população a evitar novos compartilhamentos dos áudios e de capturas de tela das mensagens, especialmente quando acompanhados de manifestações de apoio à prática de crimes, ameaças, estímulo à violência ou exposição indevida de pessoas e familiares.
A instituição alerta que a divulgação deliberada de conteúdos de ódio com o propósito de incentivar a prática de crimes também poderá resultar em responsabilização penal para quem realiza a propagação.
Da mesma forma, ameaças, perseguições, exposição intimidatória ou tentativas de represália contra a mulher investigada ou seus familiares poderão constituir novas infrações penais e serão objeto de apuração independente.
A Polícia Civil enfatiza que a responsabilização por eventuais crimes compete às instituições legalmente constituídas, sendo inadmissível que cidadãos tentem promover punições por conta própria, independentemente de suas convicções políticas.
A 10ª Delegacia Regional de Polícia de Mallet reafirma que manifestações que ultrapassem os limites legais e configurem ameaças, incitação à prática de crimes ou outras formas penalmente relevantes de violência serão rigorosamente investigadas, sem distinção de posicionamento político.
Por fim, a PCPR orienta que eventuais novas ameaças ou conteúdos de natureza criminosa sejam comunicados diretamente aos órgãos policiais, tanto na unidade policial quanto pelo telefone 181, preferencialmente acompanhados dos respectivos elementos de prova, evitando-se sua reprodução indiscriminada nas redes sociais.
Prefeitura de Paulo Frontin instaura sindicância
A Prefeitura de Paulo Frontin informou, em nota oficial, que instaurou uma sindicância administrativa para apurar as mensagens e os áudios atribuídos à servidora municipal que circulam nas redes sociais.
A administração destacou que não tolera manifestações que incentivem ou celebrem qualquer forma de violência e ressaltou que a apuração assegura o contraditório e a ampla defesa.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.












