O Tribunal de Justiça do Paraná anulou nesta quinta-feira, dia 07 de maio, o julgamento de um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos no Vale do Iguaçu, que havia condenado três amigos pela morte de Joélcio Silva, em janeiro de 2021, em União da Vitória. Com a anulação, os acusados devem ganhar liberdade nas próximas horas e serão submetidos a um novo julgamento, ainda sem data definida.
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Conforme apurado pela reportagem do Canal 4 TV, a Justiça teria anulado o julgamento em razão da quebra do direito ao silêncio dos réus, o que configuraria violação de garantias constitucionais e legais. A utilização do silêncio do acusado em seu prejuízo viola o artigo 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal, além do artigo 478, inciso II, do Código de Processo Penal (CPP), que proíbe o uso do silêncio em desfavor da defesa.
O caso teve grande repercussão no Vale do Iguaçu. O crime aconteceu na noite do dia 09 de janeiro de 2021, em frente ao condomínio Treviso, no bairro Rocio. A vítima e os réus tiveram um primeiro desentendimento naquele dia em um posto de combustíveis, em Porto União. Depois, ocorreu um confronto com luta corporal no bairro São Bernardo, em União da Vitória. Por fim, em frente ao condomínio Treviso, no bairro Rocio, um novo confronto terminou com a vítima baleada e morta.

O julgamento já havia sido marcado por episódios de grande repercussão. Em maio de 2025, o juiz de Direito Ivan Buatim precisou adiar o júri, que já estava em andamento, após uma testemunha de acusação ser flagrada em uma conversa suspeita do lado de fora do fórum. A decisão ocorreu em razão da quebra de incomunicabilidade entre as testemunhas.

Após o adiamento, o júri voltou a ser realizado em setembro de 2025 e durou dois dias, sendo marcado por forte emoção, presença das famílias dos réus e da vítima, além de intenso esquema de segurança.
Na ocasião, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público e condenou os três réus pelo crime de homicídio triplamente qualificado. Gabriel Buck foi condenado a 21 anos de prisão; Marllon, a 18 anos, 1 mês e 15 dias; e Mattheus Cunha, a 18 anos e 9 meses. Todos em regime inicialmente fechado. Somadas, as penas chegaram a mais de 58 anos de prisão.
Os três réus, que até então aguardavam o julgamento em liberdade, foram levados diretamente para a prisão, iniciando imediatamente o cumprimento das penas. Agora, após oito meses presos, devem voltar a responder ao processo em liberdade.
Com a decisão do Tribunal de Justiça, os acusados serão submetidos a um novo julgamento no Fórum de União da Vitória, seguindo novamente todas as etapas do rito do Tribunal do Júri, incluindo sorteio dos jurados, instrução processual com depoimentos, debates entre acusação e defesa, votação secreta e, por fim, a sentença do juiz.













