O envelhecimento da população tem ampliado a necessidade de atenção especializada para garantir mais qualidade de vida às pessoas idosas. Entre os profissionais que atuam diretamente nesse cuidado está a fonoaudióloga Maria Vitória Beckert de Freitas, que tem dedicado sua carreira ao atendimento de adultos e idosos, auxiliando na prevenção, diagnóstico e tratamento de alterações relacionadas à comunicação, audição e deglutição.

Natural de Porto União, Maria Vitória conta que sua trajetória na fonoaudiologia começou ainda muito jovem, quando deixou sua cidade natal para cursar a graduação na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Irati. “Sou natural de Porto União e, aos 17 anos, me mudei para Irati para cursar Fonoaudiologia na Unicentro. Sempre me relacionei bem com crianças e, durante os estágios da faculdade, descobri que também gostava muito de atender pessoas adultas e idosas”, relata.
Após concluir a graduação em 2023, ela retornou à região e percebeu uma demanda crescente por profissionais especializados no atendimento à população idosa. “Quando voltei para minha cidade, percebi a necessidade de um olhar mais atento às pessoas idosas. Em 2024, busquei uma especialização em Saúde do Idoso. Estive por dois anos inserida em diferentes ambientes hospitalares, com demandas diversas e pacientes únicos, que enriqueceram minhas vivências. Em março deste ano concluí a residência multiprofissional e retornei a União da Vitória para oferecer o meu melhor aos pacientes”, destaca.

Envelhecimento exige atenção redobrada
Segundo a profissional, é importante compreender que envelhecer não significa adoecer. No entanto, o processo natural do envelhecimento pode potencializar algumas dificuldades já existentes e aumentar os riscos para determinadas doenças.
“Envelhecer, por si só, não é uma doença e não podemos justificar as queixas da pessoa idosa dessa forma. Mas o envelhecimento evidencia o estilo de vida e os hábitos construídos ao longo dos anos, além de contribuir para perdas musculares e aumento do risco de desenvolvimento de doenças degenerativas e acidentes vasculares encefálicos”, explica.
Ela ressalta que, quando surgem doenças neurológicas ou ocorre um acidente vascular encefálico (AVE), as consequências podem afetar diretamente a comunicação e a alimentação.
“Quando esses diagnósticos se apresentam, independentemente da idade, representam grandes ameaças tanto para a comunicação quanto para a deglutição. A atenção a esses aspectos precisa ser redobrada no caso das pessoas idosas”, afirma.

O papel da família na identificação dos sinais
Maria Vitória destaca que os familiares têm papel fundamental na identificação precoce de alterações relacionadas à fala, audição e deglutição. “Os familiares são grandes aliados para detectar dificuldades de fala, audição e deglutição nas pessoas idosas, principalmente quando existe convivência diária”, comenta.
De acordo com ela, alguns sinais podem ser facilmente percebidos no dia a dia. “Quem convive com uma pessoa idosa consegue perceber quando ela não está ouvindo bem, seja pela necessidade de repetir várias vezes o que foi dito ou porque ela passa a realizar ações diferentes das que foram solicitadas. Observar se o familiar está compreendendo as informações e conseguindo responder adequadamente também é muito importante”, explica.
Já em relação à alimentação, a especialista alerta para sintomas que muitas vezes são ignorados. “A deglutição é um dos aspectos mais importantes e, talvez, não chame tanta atenção quanto a fala e a audição. Muitas vezes, os familiares percebem que a pessoa está comendo menos ou consumindo alimentos mais pastosos e acabam relacionando isso a outros fatores. É preciso atenção a engasgos e tosses durante a alimentação ou ao ingerir líquidos, pois isso não é normal em nenhuma idade”, enfatiza.

Perda auditiva pode favorecer o isolamento social
A perda auditiva é uma das condições mais comuns entre os idosos e pode gerar impactos que vão muito além da dificuldade para ouvir. “A perda auditiva contribui para a insuficiência comunicativa, uma síndrome geriátrica, e também é um fator modificável associado à demência”, explica.
Segundo ela, quando a comunicação fica prejudicada, o isolamento social pode surgir como consequência. “A perda da audição pode levar ao isolamento social, que por si só já traz diversos prejuízos”, alerta.

Alterações na fala podem estar relacionadas a doenças neurológicas
A fonoaudióloga também explica que existe uma ligação direta entre memória, comunicação e doenças neurológicas, como a Doença de Alzheimer. “Sim, há relação entre doenças neurológicas, alterações na fala e memória. Nossa comunicação necessita de cognição para ocorrer de forma clara. Se existem doenças neurológicas, pode haver comprometimento cognitivo”, afirma.
Ela explica que, conforme a doença evolui, as dificuldades de comunicação podem se tornar mais evidentes. “Um exemplo é a Doença de Alzheimer. Com a progressão da doença, o paciente pode apresentar dificuldades em seu discurso devido às diversas alterações provocadas pelo quadro”, completa.
Recuperação após derrame
Entre os atendimentos realizados pela profissional está a reabilitação de pacientes que sofreram acidente vascular encefálico, popularmente conhecido como derrame. “Um acidente vascular encefálico é uma lesão cerebral. Nosso cérebro é responsável por controlar todo o funcionamento do corpo e, quando há comprometimento cerebral, outras funções também podem ser afetadas”, explica.
Nesses casos, a atuação da fonoaudiologia é fundamental para recuperar funções essenciais.“A fonoaudiologia pode intervir quando há dificuldades de comunicação, indicar a via de alimentação mais segura naquele momento, realizar terapias voltadas à deglutição e tratar assimetrias faciais que podem ocorrer após um AVE”, ressalta.

Hábitos que ajudam a preservar a qualidade de vida
Para envelhecer com mais saúde, Maria Vitória destaca que alguns cuidados simples fazem toda a diferença. “Manter um estilo de vida saudável, praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada e realizar consultas de rotina com médicos e odontólogos são atitudes muito importantes para preservar a saúde do corpo e dos dentes”, orienta.
Ela também destaca a importância dos estímulos cognitivos e da participação social. “Cuidar da audição, manter a participação social e estimular o cérebro por meio da leitura, da escrita e de exercícios de memória são essenciais para a comunicação e para a qualidade de vida”, afirma.
E reforça: “O principal é procurar uma avaliação com um fonoaudiólogo ao observar qualquer dificuldade ou mesmo para esclarecer dúvidas.”

Benefícios dos aparelhos auditivos
Outro tema abordado pela especialista foi o uso de aparelhos auditivos, que podem trazer benefícios significativos para a comunicação e a autonomia dos idosos. “O uso de aparelhos auditivos é indicado para diferentes tipos de perda auditiva. Cada modelo atende a um perfil específico de paciente e a determinadas características da deficiência auditiva”, explica.
Ela destaca ainda que, em algumas situações, pode haver indicação de implante coclear. “Há casos em que é indicada a realização do implante coclear, mesmo para pacientes idosos. A utilização correta do aparelho, devidamente ajustado, é fundamental para preservar a comunicação e a qualidade de vida”, conclui.
Contato
Quem desejar conhecer mais sobre o trabalho da fonoaudióloga Maria Vitória Beckert de Freitas pode entrar em contato pelos seguintes canais:
📧 E-mail: fgamariabeckert@gmail.com
📱 WhatsApp: (42) 98406-5420
📸 Instagram: @fonomariavitoria_













