Um crime que chocou a região ganhou um novo e surpreendente desdobramento nesta terça-feira (4). A Polícia Civil do Paraná prendeu quatro pessoas durante uma operação relacionada ao atropelamento que tirou a vida do ciclista Zenovio Vasko, de 64 anos, na BR-153, em Mallet.

Entre os presos está o motorista de 30 anos, apontado como responsável pelo atropelamento fatal ocorrido na noite de 19 de julho, no km 396 da rodovia, na região do distrito de Dorizon. Também foram presos outros dois homens, de 32 e 62 anos, e uma mulher, de 41 anos, investigados por integrarem uma suposta trama para esconder o verdadeiro autor do crime e dificultar o trabalho da polícia.
Segundo a investigação conduzida pelo delegado da Polícia Civil, Dr. Thiers Andregotti, o motorista conduzia o veículo após consumir grande quantidade de bebidas alcoólicas, trafegava em velocidade aproximada de 100 km/h, durante a noite, em uma rodovia sem acostamento, e sequer possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou permissão para dirigir.
As investigações apontam ainda que, antes de chegar à BR-153, ele participava de um churrasco na localidade de São Roque, em Paulo Frontin, onde teria realizado manobras perigosas, incluindo “cavalos de pau” com o automóvel, mesmo sendo alertado sobre a forma imprudente com que dirigia.

Impacto violento
Zenovio Vasko seguia de bicicleta quando foi violentamente atingido pelo veículo. Conforme as informações apuradas durante a investigação, a distância entre a bicicleta, o corpo e os pertences da vítima indica que o ciclista pode ter sido arrastado por aproximadamente 30 metros devido à força da colisão.
Após o atropelamento, em vez de prestar socorro, os ocupantes do automóvel fugiram do local, deixando o idoso agonizando às margens da rodovia. A vítima morreu pouco depois.

Plano para esconder o crime
De acordo com a Polícia Civil, logo após a fuga, o veículo foi escondido em uma área rural e teve seu estado alterado para dificultar a perícia.
A investigação aponta ainda que um adolescente de 16 anos foi utilizado para movimentar o automóvel e tocar no volante e em outras partes do veículo, numa tentativa de criar vestígios que sustentassem uma versão falsa de que ele seria o motorista responsável pelo atropelamento.
Por esses fatos, o condutor responderá também por fraude processual, corrupção de menores, omissão de socorro e lesão corporal, já que passageiros do veículo sofreram ferimentos no acidente.
Testemunha teria sido sequestrada e ameaçada
Um dos pontos mais graves revelados pela investigação envolve a suposta intimidação de uma testemunha.
Segundo a Polícia Civil, um grupo coordenado teria ameaçado a pessoa para que mentisse sobre quem dirigia o veículo. As ameaças teriam evoluído para um sequestro, ocasião em que a testemunha foi retirada de Mallet, levada para outra cidade e mantida em cárcere privado.
Ainda conforme a investigação, a vítima permaneceu sob vigilância e sob ameaça de uso de arma de fogo caso contrariasse o grupo. Nessas circunstâncias, prestou depoimento por videoconferência apresentando uma versão falsa dos fatos, atribuindo a direção do veículo a outra pessoa para tentar livrar o verdadeiro motorista da responsabilização criminal.
Em razão disso, os quatro presos também serão indiciados pelos crimes de coação no curso do processo e sequestro e cárcere privado.

Prisões e investigações continuam
Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva, a Polícia Civil apreendeu quatro aparelhos celulares, que passarão por análise.
O motorista deverá ser indiciado por homicídio com dolo eventual, entendimento adotado pela investigação diante das circunstâncias do caso, que apontam que ele assumiu o risco de provocar a morte ao dirigir alcoolizado, em alta velocidade e sem habilitação.
Embora a Polícia Civil considere concluído o núcleo principal das investigações, as diligências continuam para identificar outras pessoas que possam ter participado das ameaças contra testemunhas ou de outras ações destinadas a dificultar o esclarecimento do crime. Caso sejam identificadas, elas também poderão responder criminalmente.












