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“Um homem comum comemorando a democracia”: família de Vilson Delvoss relata atentado em Porto União

Vilson Delvoss, de 51 anos, foi atingido por cinco disparos enquanto comemorava o resultado das eleições em frente à própria residência, na Área Industrial. Filho da vítima presenciou o ataque e relatou que não houve discussão ou provocação. Suspeito, que era vizinho e mantinha relação de amizade com a vítima, foi preso após fugir do local.

Familiares de Vilson Delvoss, de 51 anos, conversaram com a reportagem do Canal 4 e relataram detalhes da tentativa de homicídio registrada na noite de domingo (25), na Área Industrial de Porto União, em Santa Catarina, na divisa com União da Vitória, no Paraná.

O filho da vítima, que estava no local e presenciou toda a situação junto de outras testemunhas, contou que a família e amigos estavam reunidos em frente à residência de Vilson, comemorando o resultado das eleições presidenciais. Segundo ele, o pai é apoiador declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e há muitos anos participa de atividades políticas em defesa de suas convicções.

De acordo com o relato, o suspeito, que era vizinho de Vilson e se apresentava como amigo da família, permaneceu próximo a um caminhão estacionado na rua, observando a movimentação por aproximadamente cinco a dez minutos.

A família afirma que, após algumas pessoas deixarem o local, Vilson ficou em frente à residência, acompanhado de um amigo. Foi nesse momento que o suspeito teria se aproximado e iniciado o ataque.

“Tá bom, né? Vamos ver se tá bom”

Conforme o relato do filho, o homem caminhou em direção a Vilson e disse: “Tá bom, né? Vamos ver se tá bom”, em referência ao resultado das eleições.

Na sequência, o suspeito sacou uma arma e efetuou os disparos. Segundo a família, o primeiro tiro atingiu o abdômen da vítima. Vilson ainda conseguiu colocar as mãos à frente da arma, em uma tentativa de se proteger, mas foi atingido por outros disparos.

Ao todo, cinco tiros acertaram Vilson, atingindo regiões do abdômen, da mão, do cotovelo e da perna. O amigo que estava próximo também foi atingido por um disparo de raspão no braço.

A família acredita que o suspeito tenha utilizado um revólver aparentemente de calibre .38 e que todos os seis disparos da arma tenham sido efetuados.

Os familiares ressaltam que não houve discussão, briga ou provocação antes do ataque. Segundo o filho, Vilson não havia ingerido bebida alcoólica e estava apenas comemorando o resultado das eleições com amigos.

Vítima passou por cirurgia de emergência e segue em estado gravíssimo

Após ser atingido, Vilson ainda conseguiu caminhar alguns metros antes de cair na calçada. Um bombeiro que mora nas proximidades prestou os primeiros socorros até a chegada do atendimento de emergência.

A vítima foi encaminhada ao hospital e passou por uma cirurgia de emergência considerada gravíssima.

Segundo informações repassadas pela família, dois dos disparos atingiram a região abdominal, provocando lesões no intestino grosso e no fígado. Outro projétil atingiu a perna, causando uma grave lesão em uma artéria.

Durante o procedimento cirúrgico, a equipe médica trabalhou para controlar o sangramento abdominal e realizou uma intervenção no intestino grosso.

Ainda conforme os familiares, uma das balas permanece alojada no fígado, mas, até o momento, não estaria provocando sangramento. A lesão na perna é uma das principais preocupações, sendo necessário realizar um enxerto na artéria atingida.

Vilson permanece hospitalizado em estado gravíssimo. A família informou que as notícias mais recentes trazem esperança de uma possível reversão do quadro, mas a situação ainda é considerada grave. Existe também o risco de amputação do membro atingido.

Em declaração exclusiva ao Canal 4, os familiares afirmaram acreditar que o ataque foi motivado por divergências políticas, uma vez que Vilson estava comemorando a vitória de Lula quando foi surpreendido pelos disparos.

A família também destacou que a vítima e o suspeito eram vizinhos e mantinham uma relação de amizade, o que torna o episódio ainda mais difícil de compreender.

“Isso foi um atentado direto por desavença política. Não estamos mais seguros na sociedade para declarar nossos pensamentos. Uma barbárie dessa não deveria acontecer com ninguém, independentemente de partido político”, afirmaram os familiares.

Em outro trecho do relato, a família destacou a trajetória de Vilson e a forma como o ataque aconteceu.

“Era um homem comum comemorando a democracia e foi brutalmente alvejado. Nós, da família, queremos que a Justiça seja feita e que as pessoas saibam que não houve discussão, desavença ou provocação”, declararam.

O filho também relatou que o pai sempre foi uma pessoa de origem humilde e que, ao longo dos anos, atuou em favor de pessoas que precisam de ajuda.

Suspeito fugiu, foi localizado pela polícia e confessou o crime

Após os disparos, o suspeito teria fugido do local em uma Volkswagen Saveiro branca. Conforme as informações repassadas pela família, ele foi localizado e preso pela polícia em Canoinhas, no Norte de Santa Catarina. Durante a abordagem, foram encontradas aproximadamente 70 munições e um revólver carregado.

Ainda segundo as informações, o suspeito confessou o crime. As circunstâncias do atentado, a motivação e os demais detalhes da ocorrência deverão ser apurados pelas autoridades policiais.

A família de Vilson espera que o caso seja esclarecido e que o responsável seja levado à Justiça.