Diabetes descontrolado pode prejudicar a capacidade de filtragem dos rins, provocar doença renal crônica e, em casos avançados, levar à necessidade de diálise ou transplante.

O excesso de açúcar no sangue, quando permanece elevado por longos períodos, pode provocar danos importantes ao organismo. Entre os órgãos mais afetados estão os rins, responsáveis por filtrar o sangue, eliminar resíduos e controlar o equilíbrio de líquidos no corpo.
Em pessoas com diabetes, especialmente quando a glicemia não está adequadamente controlada, os pequenos vasos sanguíneos que compõem os filtros renais podem sofrer lesões progressivas. O problema é que esse processo costuma evoluir de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais.
A complicação é conhecida como doença renal do diabetes, também chamada de nefropatia diabética, e pode comprometer gradualmente a capacidade dos rins de realizar suas funções.
Como o açúcar elevado afeta os rins?
Os rins possuem milhares de estruturas microscópicas responsáveis pela filtragem do sangue. Quando a glicose permanece elevada por muito tempo, essas estruturas passam a trabalhar sob maior pressão.
A sobrecarga pode danificar os vasos sanguíneos e permitir que proteínas importantes, como a albumina, sejam eliminadas pela urina.
Com a progressão das lesões, a capacidade de filtragem diminui. Resíduos que deveriam ser eliminados começam a se acumular no organismo, comprometendo o funcionamento de diferentes sistemas.
Segundo informações do Ministério da Saúde, o diabetes pode afetar diretamente a função renal. Quando a doença é identificada precocemente, existem tratamentos capazes de reduzir o risco de agravamento.

Por que a doença pode passar despercebida?
Um dos principais desafios no diagnóstico da doença renal crônica é a ausência de sintomas no início.
Mesmo com alterações na função dos rins, a pessoa pode continuar realizando suas atividades normalmente, sem perceber que existe algum problema.
Por isso, a realização de exames periódicos é fundamental, especialmente para pessoas com diabetes ou pressão alta.
Entre os exames utilizados na avaliação da saúde renal estão:
Creatinina no sangue: ajuda a avaliar a capacidade de filtragem dos rins.
Pesquisa de albumina na urina: identifica a presença de proteínas que podem indicar lesões nos filtros renais.
Taxa de filtração glomerular estimada: permite avaliar o funcionamento dos rins e acompanhar possíveis perdas de capacidade de filtragem.
A recomendação é que pessoas com diabetes mantenham acompanhamento médico regular e realizem os exames conforme a orientação do profissional de saúde.
Quais sinais podem indicar problemas nos rins?
Quando a função renal começa a ficar mais comprometida, alguns sintomas podem aparecer.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
Inchaço nos pés, tornozelos e ao redor dos olhos;
Urina com espuma persistente;
Cansaço frequente e fraqueza;
Náuseas e perda de apetite;
Dificuldade para controlar a pressão arterial.
Esses sintomas não significam necessariamente que a pessoa tenha uma doença renal, mas precisam ser avaliados, principalmente quando existe histórico de diabetes ou hipertensão.
Em casos avançados, pode ser necessária a diálise
Quando os rins perdem grande parte de sua capacidade de filtragem, o organismo passa a ter dificuldade para eliminar substâncias que deveriam ser descartadas.
Em situações avançadas, pode ser necessário recorrer à hemodiálise, procedimento que realiza parte da filtragem do sangue, ou ao transplante renal.
A evolução da doença varia de pessoa para pessoa. O controle da glicemia, da pressão arterial e o acompanhamento médico são medidas importantes para reduzir o risco de progressão.
Como proteger a saúde dos rins?
A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para evitar complicações.
Entre os cuidados recomendados estão:
Manter a glicemia dentro das metas estabelecidas pelo médico;
Controlar a pressão arterial;
Adotar uma alimentação equilibrada;
Praticar atividades físicas regularmente;
Evitar o uso de medicamentos por conta própria, especialmente anti-inflamatórios;
Realizar exames periódicos para acompanhar a função renal.
O diabetes não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá uma doença renal. No entanto, manter a glicose elevada por longos períodos aumenta o risco de complicações.
Atenção à saúde: o acompanhamento médico e a realização de exames são essenciais para identificar alterações precocemente. As informações desta reportagem são educativas e não substituem uma avaliação profissional.












