/Uma alimentação equilibrada na infância contribui para o crescimento, o desenvolvimento, o aprendizado e a construção de hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida

Uma alimentação equilibrada na infância contribui para o crescimento, o desenvolvimento, o aprendizado e a construção de hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida

Artigo assinado por Charly Doliszny, nutricionista clínica e esportiva, especialista em bariátrica, endometriose e intestino, com atuação em emagrecimento, saúde intestinal e hipertrofia.

Quando pensamos na Semana da Criança, logo vêm à mente brincadeiras, presentes, passeios e momentos especiais em família. Mas existe um presente que não vem embrulhado e que pode acompanhar a criança por toda a vida: o cuidado com a alimentação e a construção de hábitos saudáveis.

A infância é uma fase de intenso crescimento e desenvolvimento. O corpo da criança está em constante transformação e necessita de energia e nutrientes para formar ossos, músculos, órgãos e tecidos, além de sustentar o desenvolvimento do cérebro e do sistema imunológico.

Por isso, a alimentação infantil não deve ser vista apenas como uma questão de “comer bem”.

É uma questão de crescer bem.

O prato também ajuda a construir o futuro

Uma alimentação variada oferece ao organismo diferentes nutrientes necessários para seu funcionamento.

Arroz, feijão, carnes, ovos, leite e derivados, frutas, verduras e legumes são exemplos de alimentos que podem fazer parte da rotina das crianças, proporcionando proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e fibras.

Não é necessário que todas as refeições sejam perfeitas. O mais importante é observar a alimentação como um todo e buscar variedade, equilíbrio e regularidade.

Uma criança precisa de energia para correr, brincar, estudar, praticar esportes e descobrir o mundo ao seu redor.

A criança aprende a comer

Um dos grandes desafios para muitas famílias é lidar com a recusa de alimentos.

“Meu filho não come verduras.”

“Ele só quer macarrão.”

“Não aceita experimentar alimentos novos.”

Essas situações são comuns e fazem parte do processo de formação do paladar.

A criança pode precisar de várias oportunidades para aceitar um novo alimento. Por isso, oferecer diferentes alimentos, sem transformar a refeição em uma disputa, é fundamental.

Comer também é aprender.

Pressionar, ameaçar ou obrigar a criança a comer pode transformar o momento da refeição em uma experiência negativa. O ideal é criar um ambiente tranquilo e permitir que a criança desenvolva gradualmente sua autonomia alimentar.

Salada em troca de doce? Cuidado com a negociação alimentar

Uma situação bastante comum no dia a dia das famílias é a negociação durante as refeições:

“Se você comer a salada, ganha um chocolate.”

“Se terminar o prato, pode tomar sorvete.”

Embora pareça uma estratégia simples para fazer a criança comer, esse tipo de negociação pode ensinar uma mensagem que não queremos transmitir: a de que a comida saudável é uma obrigação ou um castigo, enquanto o doce é a recompensa.

Com o tempo, a criança pode passar a valorizar ainda mais o alimento utilizado como prêmio e desenvolver uma relação menos positiva com alimentos como verduras e legumes.

Isso não significa que doces sejam proibidos ou que nunca possam ser oferecidos. O ponto é evitar transformar um alimento em moeda de troca por outro.

Em vez de:

“Se comer a salada, ganha sobremesa.”

Podemos dizer:

“Hoje temos salada, arroz, feijão, carne e também a sobremesa. Você pode experimentar a salada.”

O adulto deve oferecer alimentos variados e estabelecer uma rotina de refeições, enquanto a criança pode participar gradualmente das escolhas e perceber seus sinais de fome e saciedade.

Elogie a experiência, não o “prato limpo”

Também é importante evitar frases como:

“Só pode sair da mesa quando limpar o prato.”

A quantidade que uma criança precisa comer pode variar de acordo com sua fome, crescimento, atividade física e outros fatores.

Ensinar a criança a perceber quando está satisfeita é uma habilidade importante.

Em vez de premiar o prato vazio, podemos valorizar a experiência:

“Você experimentou um alimento novo!”

“Você percebeu que estava satisfeita e parou de comer.”

“Hoje você quis experimentar a cenoura. Muito bem!”

Dessa forma, a criança aprende a conhecer os alimentos e também a reconhecer os sinais do próprio corpo.

O exemplo dos adultos fala mais alto

Não adianta apenas dizer para a criança que ela precisa comer frutas e verduras.

As crianças observam.

Se os adultos comem alimentos variados, fazem refeições à mesa e demonstram prazer em experimentar diferentes preparações, a criança tende a perceber esses comportamentos como naturais.

A família tem um papel essencial na formação dos hábitos alimentares.

Por isso, em vez de perguntar apenas “o que meu filho está comendo?”, também podemos perguntar:

“Que exemplo estamos oferecendo dentro de casa?”

Doces não precisam ser tratados como vilões

Chocolate, bolo, sorvete e outros alimentos fazem parte do universo infantil e podem aparecer ocasionalmente.

O problema está quando esses alimentos passam a ocupar o espaço daqueles que realmente fornecem os nutrientes necessários para o crescimento.

A orientação não deve ser baseada em proibições extremas, mas em equilíbrio e educação alimentar.

Frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, carnes, ovos e leite devem ter presença frequente na alimentação, enquanto alimentos ricos em açúcar, gordura e sal devem ser consumidos com menor frequência.

Comer também é um momento de convivência

Sempre que possível, as refeições devem acontecer em um ambiente tranquilo, preferencialmente à mesa e sem televisão, celular ou tablet.

Esse momento permite que a criança perceba melhor seus sinais de fome e saciedade e, ao mesmo tempo, fortalece os vínculos familiares.

Uma refeição pode ser muito mais do que comida no prato.

Pode ser conversa, afeto, aprendizado e convivência.

Nutrir é cuidar do futuro

A alimentação na infância não precisa ser perfeita. Ela precisa ser adequada, variada, equilibrada e, principalmente, possível dentro da realidade de cada família.

Mais do que ensinar uma criança a “comer saudável”, precisamos ajudá-la a construir uma relação positiva com a comida e com o próprio corpo.

Porque cada refeição é uma oportunidade de nutrir.

Cada hábito é uma oportunidade de ensinar.

E cada momento à mesa pode ser uma oportunidade de demonstrar amor.

Nesta Semana da Criança, que tal oferecer uma experiência alimentar?

Que tal levar a criança à feira e deixá-la escolher uma fruta diferente?

Preparar uma receita saudável e gostosa juntos?

Montar um prato colorido, temático e atrativo?

RECEITINHA:

Pratinho “Leãozinho Colorido”

Uma refeição divertida, nutritiva e fácil de preparar junto com as crianças.

Ingredientes – 1 porção

  • 3 colheres (sopa) de arroz cozido
  • 2 colheres (sopa) de feijão
  • 1 ovo mexido ou cozido
  • 2 colheres (sopa) de cenoura ralada ou cozida
  • 2 rodelas de pepino
  • 2 tomatinhos-cereja
  • 1 folha de alface
  • ½ banana
  • 1 colher (chá) de azeite

Como montar

  1. Coloque o arroz no centro do prato, formando uma montanha ou círculo, que será o rosto do leão.

  2. Faça a juba ao redor utilizando a cenoura ralada e a alface.

  3. Coloque o ovo no centro como parte do rostinho.

  4. Use pequenos pedaços de pepino ou tomate para fazer os olhos e o nariz.

  5. Corte a banana em rodelas e coloque ao redor do prato, criando um detalhe divertido.

  6. Sirva o feijão em um pequeno recipiente ou ao lado do arroz.

Por que é uma boa opção?

Esse pratinho reúne diferentes grupos de alimentos: cereais, leguminosas, proteína, vegetais e fruta, oferecendo variedade de nutrientes e cores.

E existe um ingrediente especial que não aparece na lista: a participação da criança!

Ela pode ajudar a lavar os alimentos, escolher as cores, montar o rostinho e organizar o prato. Isso torna a refeição mais divertida e pode estimular a curiosidade e a experimentação de novos alimentos.

Dica para os pais: não é necessário que a criança coma tudo o que foi colocado no prato. O objetivo é apresentar os alimentos de forma positiva, sem pressão, chantagem ou negociação.

“Quando a criança participa do preparo, a comida deixa de ser apenas uma refeição e passa a ser também uma experiência.”

Charly Doliszny é nutricionista clínica e esportiva, especialista em Bariátrica, Endometriose e Intestino, com atuação em Emagrecimento, Saúde Intestinal e Hipertrofia.
INSTAGRAM: @nutricionistacharly/